A vídeo-instalação tem duração de 20 minutos que deverão estar em loping, tornando-a interminável. Exibe o passar lento dos
minutos, tratando não somente de um fragmento do dia-a-dia de um animal, no
decorrer das horas, mas, sobretudo, de uma postura humana, a partir de uma
relação temporal do indivíduo em relação ao mundo atual, carente de revoluções
que ele se acomodou a viver.
Deste modo, o vídeo mostra o cotidiano de um gato, que mesmo sendo naturalmente um
caçador de ratos, é antes de tudo um felino domesticado, regido por um baixo
metabolismo em grande parte do seu dia e que se encontra nesse estado meio
desacordado, imóvel ou a gestos lentos.
Reverberando uma metáfora para a inércia do ser humano, que em sua
passividade diante da vida, amputam revoluções por sua própria mediocridade e
que transpõe através da imobilidade cotidiana de um predador domesticado, um
fragmento de uma postura humana atual, bastante miserável e típica de quem sequer
é capaz de representar seu próprio anseio de viver em um mundo menos pálido.
Por esse motivo, o homem e o felino, que um dia revelaram-se predadores,
agora nas cores de preto e branco do vídeo, são representados lambendo sua pele
coberta de pêlos e preocupado com seu universo uno, apontam para um
procedimento fechado em si, numa overdose de inércia e egocentrismo, que revelam
uma ação própria de quem está em uma condição intelectual de alienação, se opondo
a um estado de movimento e envolvimento com seu entorno.
Maquete da exposição
A obra supracitada, fez parte do I Salão SESC Universitário de Arte Contemporânea - Ananindeua - PA e foi uma das 3 que receberam o prêmio aquisição.

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