Diante de dados estatísticos que comprovam o crescente número de acidentes de trânsito na Grande Belém, “Trânsitos Mutantes” surge com o objetivo de buscar uma reflexão sobre educação no trânsito, trazendo esses “signos” criados para instituir uma comunicação entre os veículos e a cidade, e que muitas vezes é ignorado pela imprudência de condutores e pedestres.Por apresentar uma certa complexidade em fazer-se visível dentro de uma proposta impositiva para a sua apreciação, torna-se necessária a configuração e apresentação do trabalho fora das galerias e instituições de arte. Uma vez que o mesmo conjuga-se com a cidade e seus signos, a técnica que expressa a idéia de “Trânsitos Mutantes” deverá ser desenvolvida aos moldes da intervenção urbana, e para isto, o local proposto para a intervenção foi o Viaduto do Coqueiro, localizado na BR-316, no município de Ananindeua – Região Metropolitana de Belém, visto o grande número de indivíduos que cruzam o local, tendo sido escolhido o canteiro em que se observa, aparentemente, a maior circulação de veículos em seu entorno.Esse canteiro será o segundo a direita da BR no sentido Ananindeua/Belém, que além de possuir a infra-estrutura necessária para a execução do trabalho, possui também um fator emblemático que é ser instalada no meio de um anel viário, podendo ser observado de todas as direções, inclusive do alto do viaduto, estando literalmente inserida no centro do tráfego.A proposta se trata da concepção de uma sala de aula. Sala esta, aberta e ao relento, com 24 carteiras escolares (novas e deterioradas) pintadas na cor amarela, contrastando com a cor escurecida do musgo que reveste o piso, levando o espectador a fazer uma analogia com as cores da sinalização de trânsito (amarelo / preto). A disposição das mesmas compõe três grupos de cadeiras, que vista do alto do viaduto remetem às faixas de trânsito.Um pneumático surge na composição como forma de remeter, menos subjetivamente, ao “trânsito”, sem a obviedade que teria um carro destruído em acidente. Sua forma circular induz à idéia de ciclo, de renovação, contemplando a reflexão sobre a educação enquanto ato que jamais se conquista plenamente, pela constante necessidade de renovação.
Texto de Carla Evanovitch e Murilo Rodrigues
Concepção: Carla Evanovitch, Murilo Rodrigues e Eduardo Wagner