quinta-feira, 16 de julho de 2009

TRÂNSITOS MUTANTES - A materialização (Belém/PA, 2007)

Originalmente concebido para a disciplina Escultura II do curso de Educação Artística com Habilitação em Artes Plásticas, pelos colegas de turma e amigos Carla Evanovitch, Eduardo Wagner e Murilo Rodrigues, teve o projeto inscrito para concorrer ao Salão Arte Pará 2007, poucos meses depois da criação do projeto pelo grupo.

O trabalho se utiliza de um "lugar específico" e da apropriação de objetos do uso cotidiano, sendo esse material deslocado de seu uso habitual para instigar os transeuntes e inquietá-los sobre o que cadeiras escolares amarelas enfileiradas e o pneu que tinha 1,60m de altura faziam ali.

Era a primeira experiência criativa em Arte Contemporânea que o grupo experimentara submeter a um juri de seleção. O frisson da espera do resultado tomou o grupo, que percebeu na prática em seu primeiro trabalho, que a legitimação de um trabalho é um simples detalhe. O empenho em fazê-lo acontecer e toda a correria para vê-lo pronto para intervir e sofrer intervenções foi muito mais gratificante.


Foto: Carol Abreu


Foto: Carol Abreu


Foto: Carol Abreu

Intervenção da população na obra
Foto: Murilo Rodrigues

TRÂNSITOS MUTANTES (Arte Urbana - 2007) - O projeto


Diante de dados estatísticos que comprovam o crescente número de acidentes de trânsito na Grande Belém, “Trânsitos Mutantes” surge com o objetivo de buscar uma reflexão sobre educação no trânsito, trazendo esses “signos” criados para instituir uma comunicação entre os veículos e a cidade, e que muitas vezes é ignorado pela imprudência de condutores e pedestres.Por apresentar uma certa complexidade em fazer-se visível dentro de uma proposta impositiva para a sua apreciação, torna-se necessária a configuração e apresentação do trabalho fora das galerias e instituições de arte. Uma vez que o mesmo conjuga-se com a cidade e seus signos, a técnica que expressa a idéia de “Trânsitos Mutantes” deverá ser desenvolvida aos moldes da intervenção urbana, e para isto, o local proposto para a intervenção foi o Viaduto do Coqueiro, localizado na BR-316, no município de Ananindeua – Região Metropolitana de Belém, visto o grande número de indivíduos que cruzam o local, tendo sido escolhido o canteiro em que se observa, aparentemente, a maior circulação de veículos em seu entorno.Esse canteiro será o segundo a direita da BR no sentido Ananindeua/Belém, que além de possuir a infra-estrutura necessária para a execução do trabalho, possui também um fator emblemático que é ser instalada no meio de um anel viário, podendo ser observado de todas as direções, inclusive do alto do viaduto, estando literalmente inserida no centro do tráfego.A proposta se trata da concepção de uma sala de aula. Sala esta, aberta e ao relento, com 24 carteiras escolares (novas e deterioradas) pintadas na cor amarela, contrastando com a cor escurecida do musgo que reveste o piso, levando o espectador a fazer uma analogia com as cores da sinalização de trânsito (amarelo / preto). A disposição das mesmas compõe três grupos de cadeiras, que vista do alto do viaduto remetem às faixas de trânsito.Um pneumático surge na composição como forma de remeter, menos subjetivamente, ao “trânsito”, sem a obviedade que teria um carro destruído em acidente. Sua forma circular induz à idéia de ciclo, de renovação, contemplando a reflexão sobre a educação enquanto ato que jamais se conquista plenamente, pela constante necessidade de renovação.


Texto de Carla Evanovitch e Murilo Rodrigues
Concepção: Carla Evanovitch, Murilo Rodrigues e Eduardo Wagner

Considerações iniciais

Este espaço foi concebido para arquivar e possibilitar o acesso público às minhas criações em Artes Visuais, tendo como foco o liame entre a Arte Urbana e a Galeria.
De um lado a Arte dita democrática, pois está exposta na rua e todos que por ali transitam têm acesso.
Do outro, a materialização artística dita elitizada, ou um espaço próprio para a visualização tranquila e sem interferências. O processo criativo aqui apresentado, propõem relacionar ambas as formas de expressão/materialização artística, mostrando em alguns trabalhos, como o mesmo se apresenta no espaço urbano e no ambiente fechado.