quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Black Bird - Expo. Eu. O outro - CCBNB (Fortaleza-CE, 2008)

Convite da Exposição

Em meados de 2008, a parceria dos Artistas Visuais Solon Ribeiro e Val Sampaio originou o projeto Contra-fluxos, que tinha o objetivo de intercambiar artistas paraenses e cearences. Sendo assim, ocorreu em Belém uma exposição com artistas do Ceará, com curadoria de Solon e em Fortaleza, no Centro Cultural Banco do Nordeste - CCBNB, ocorreu a exposição de artistas do Pará, com curadoria de Val Sampaio. Partipei com o trabalho Black Bird na exposição, e tive a oportunidade de realizar as intervenções que desdobram o trabalho.



O estêncil do cachorro


O estêncil do cachorro com a obra do artista paraense João Cirilo acima


A placa que compõem a obra. Ao fundo o prato e a coleira.

Entrevista para uma TV local


O artista Heraldo Candido ajudando nas intervenções






Acima, sequência de intervenções feitas em - Fortaleza-CE

Black Bird - Prêmio de 2º lugar na Mostra Primeiros Passos do CCBEU 2007 - Premiado em segundo lugar (Belém/PA, 2007)


Foram 12 dias fora de casa. Ao retornar, algo me parecia estranho nas feições de meus pais e irmã. Mostravam-se felizes com meu retorno, porém com sorrisos nem tão largos e amistosos assim.
O silêncio na casa era assombroso. Aquele latido grave, distante, fraco e agonizante que meu cachorro ladrava ultimamente, devido a uma doença indiagnosticável e conseqüentemente incurável, me veio à mente. Algo me tranqüilizava. Meu coração acalantava como algo que havia se resolvido, ainda que de maneira dolorosa.
Eu ainda milhas distante, e meu pai autorizara eutanásia em meu cachorro que há meses vomitara tudo que ingeria e começara a desenvolver chagas em seu corpo, que ensangüentavam-no, fazendo-no uivar dor e aflição ao longo de dias, que se estenderam por semanas, meses...
Juno, um pastor belga de médio porte, falecera aos 13 anos, no dia 21 de novembro de 2007, com uma injeção letal, que paralisaria seus órgãos lhe causando uma parada cardíaca fulminante. Automaticamente o sofrimento daquele cão, que seria completamente negro se não fosse um tufo branco no peito, sucumbia, e finalmente tinha paz novamente, voltava ao mundo das idéias.
Sentado em meu quarto tocando Black Bird, canção dos Beatles, que ele mais gostava de me ouvir tocar, pensei em homenageá-lo enquanto lágrimas lavavam meu rosto vermelho, trêmulo e salgado, reflexos de uma perda natural, e esperada. Porém, sofrível.
A imagem daquele cachorro que fora um dia cheio de vida, amigo e brincalhão não me saía da mente. Via-lhe nas cenas mais peculiares, se soltando, correndo pela casa, pela rua, virando sua vasilha de comida, quebrando vasos e defecando em lugares impróprios... transgredindo sempre.
Uma homenagem ainda lhe resta, fazer-lhe seu vulto negro e aderindo seus pertences em 3 cenas costumeiras, dando o ar cômico e indisciplinado que ele nunca deixou de ter, porém evidenciando que dessa vez ele estará finalmente livre das amarras que o condenaram a sofrer antes de partir, estava livre para voar ao infinito, dessa vez uma ida sem volta, sem culpa, sem medo, sem vômitos... Só a música o faz voltar pra casa...
“Black bird fly...”


O trabalho na galeria

Prato e coleira que pertenceram ao cão


Recebendo o certificado de premiação e o cheque


Desdobramento do trabalho nas ruas de Belém