Black Bird II
Por entre as barras metálicas que aprisionam um ser que carrega a culpa
de ser belo, uma melodia irrompe o silêncio. O canto agônico do prisioneiro inebria
o carcereiro num envolvente prazer mórbido. Um sentimento de fascínio tão
intenso que nem percebe que o som emitido é de dor.
Dor de um ser, que mesmo sendo um símbolo de liberdade, é culturalmente
mais admirado em confinamentos, que já seriam de dimensões ínfimas em relação
ao seu tamanho, quanto mais comparadas ao infinito horizonte sobrevoável.
Um crime bárbaro, mas banalizado pelo costume de séculos. Bares,
barbearias, carpintarias, oficinas mecânicas, exibem orgulhosamente as diversas
espécies, ameaçadas ou não de extinção, dependurados em minúsculos espaços.
Um convite ao possível sentimento propagado no interior do cárcere. A
aflição de um aprisionado sem culpa. Tédio, tristeza, resistência, ou simplesmente
a esperança de um dia ser livre e alçar vôo.
Esta produção objetiva provocar o espectador quanto à consternação em que
está imerso o ser confinado. Despertar a consciência dos mais diversos carrascos
contemporâneos, que, tendo consciência ou não, se deliciam com o aprisionamento
do ser amado.
O trabalho foi materializado em uma vídeo-instalação idealizada para o ambiente acima, localizado no Museu Histórico do Estado do Pará - MHEP.
Na proposição, um músico realizava em sua viola a releitura da música "Black Bird" do saudoso grupo britânico "The Beatles". Numa versão mais triste e apenas na viola, o som do instrumento contaminava os arredores da sala com sua carga fúnebre.
Acima, a imagem do músico Samuel Lima, que foi contratado para realizar a performance.
Vídeo selecionado
Recebendo a premiação












