terça-feira, 17 de julho de 2012

Black Bird II (vídeo-instalação, 2010) - Prêmio Aquisição Salão Arte Pará 2010


Black Bird II


Por entre as barras metálicas que aprisionam um ser que carrega a culpa de ser belo, uma melodia irrompe o silêncio. O canto agônico do prisioneiro inebria o carcereiro num envolvente prazer mórbido. Um sentimento de fascínio tão intenso que nem percebe que o som emitido é de dor.
Dor de um ser, que mesmo sendo um símbolo de liberdade, é culturalmente mais admirado em confinamentos, que já seriam de dimensões ínfimas em relação ao seu tamanho, quanto mais comparadas ao infinito horizonte sobrevoável.
Um crime bárbaro, mas banalizado pelo costume de séculos. Bares, barbearias, carpintarias, oficinas mecânicas, exibem orgulhosamente as diversas espécies, ameaçadas ou não de extinção, dependurados em minúsculos espaços.
Um convite ao possível sentimento propagado no interior do cárcere. A aflição de um aprisionado sem culpa. Tédio, tristeza, resistência, ou simplesmente a esperança de um dia ser livre e alçar vôo.
Esta produção objetiva provocar o espectador quanto à consternação em que está imerso o ser confinado. Despertar a consciência dos mais diversos carrascos contemporâneos, que, tendo consciência ou não, se deliciam com o aprisionamento do ser amado.

O trabalho foi materializado em uma vídeo-instalação idealizada para o ambiente acima, localizado no Museu Histórico do Estado do Pará - MHEP.

Na proposição, um músico realizava em sua viola a releitura da música "Black Bird" do saudoso grupo britânico "The Beatles". Numa versão mais triste e apenas na viola, o som do instrumento contaminava os arredores da sala com sua carga fúnebre.

Acima, a imagem do músico Samuel Lima, que foi contratado para realizar a performance.


Vídeo selecionado


Recebendo a premiação

Conversa do artista Murilo Rodrigues, com mediação da curadora e pesquisadora Marisa Mokarzel, com a turma do Curso de Moda da UNAMA

Outra imagem da conversa. Observe o trabalho no canto direito da imagem.

Imagem do Catálogo da Exposição

Imagem do Catálogo da Exposição


domingo, 15 de julho de 2012

Damas da Noite - Arte Urbana (Belém/PA, 2008)

Abaixo, as intervenções realizadas em Belém do Pará no ano de 2008, registradas por Carol Abreu.






Damas da Noite (Fotografia Manipulada, 2008) - "Mostra Primeiros Passos CCBEU 2008" e "Exposição Arte. De repente"


DAMAS DA NOITE


            O fim do dia se anuncia e a visão urbana recebe um ornamento – uma sombra, de pessoas punidas e apedrejadas pela sociedade. Começam a surgir por entre as sombras da noite, com a potência de suas expressões carregadas de sexo e poder; vagam pelas ruas chafurdando por entre esquinas, carros, viadutos e escadarias da cidade que já se encontra adormecida.
            Figuras sem rosto invadem a urbe a procura de seus predadores, que lhe devorarão por alguns minutos ou horas, ou dias. Sempre “preparadas para o que vier... quem vier...”
            E de dia? Fica só a lembrança... Se é que devem lembrar... Se é que querem lembrar... E tudo volta ao normal... Ao normal?
            As figuras travestidas no crepúsculo, de dia se confundem no caos urbano, onde ninguém se importa com ninguém, na metrópole dominada por homens com a frieza de máquinas.
            Instigado pelo tema, vi-me obrigado a retroceder a inspirações ancestrais para falar sobre o mesmo que ainda hoje é tão presente. Porém diferente dos grandes mestres, como Lautrec, não me comove visitar lugares fechados; é preciso mostrar o que acontece nas ruas, as figuras que compõem a cena noturna da cidade.
            Busco inspiração na canção de Wander Wildner de mesmo título, na qual ele enaltece as protagonistas do trabalho pela coragem com que conseguem atuar na noite, como dito anteriormente em outras palavras, “entregando seus corpos a qualquer um, a porcos e gordos mais podres que a noite” (...) “Sempre a postos para saciar alguém...”
            Não são dignas para estar aqui no Salão? Faço necessário permanecer ao menos suas sombras – espectros, e que se marquem suas presenças no que deve importar aos seus compradores: seu contorno em poses que explicitem a pujança e ousadia de quem não deve temer o desconhecido, de quem tem o inesperado sob controle.
As fotografias feitas nas ruas sob manipulação

sábado, 14 de julho de 2012

Le Phosporeau - Instalação (Belém-PA, 2008)

Trata-se de uma paródia ao bombardeio publicitário que vende apartamentos minúsculos a preços inversamente proporcionais, aplicando o argumento da nova tendência mundial de otimização do espaço, que camufla o processo de especulação imobiliária, tão intenso na contemporaneidade.
Participou como artista convidado na Exposição Individual de Xilogravuras do artista visual Heraldo Candido, na Galeria Universitária César Moraes Leite, por se relacionar imageticamente com a abordagem sobre habitações que o mesmo havia retratado em sua produção, ao elaborar gravuras que eram releituras de habitações em situações de risco, inspirado na obra "A poética do espaço" de Gaston de Bachelard.

O projeto do trabalho

Registro do trabalho

Visão aproximada

Vista da exposição com os trabalhos de Heraldo Candido

Obras de Heraldo Candido

Obras de Heraldo Candido

Visão da Exposição