DAMAS DA NOITE
O fim do dia se anuncia e a visão
urbana recebe um ornamento – uma sombra, de pessoas punidas e apedrejadas pela
sociedade. Começam a surgir por entre as sombras da noite, com a potência de
suas expressões carregadas de sexo e poder; vagam pelas ruas chafurdando por
entre esquinas, carros, viadutos e escadarias da cidade que já se encontra
adormecida.
Figuras sem rosto invadem a urbe a
procura de seus predadores, que lhe devorarão por alguns minutos ou horas, ou
dias. Sempre “preparadas para o que vier... quem vier...”
E
de dia? Fica só a lembrança... Se é que devem lembrar... Se é que querem
lembrar... E tudo volta ao normal... Ao normal?
As figuras travestidas no crepúsculo,
de dia se confundem no caos urbano, onde ninguém se importa com ninguém, na metrópole
dominada por homens com a frieza de máquinas.
Instigado pelo tema, vi-me obrigado
a retroceder a inspirações ancestrais para falar sobre o mesmo que ainda hoje é
tão presente. Porém diferente dos grandes mestres, como Lautrec, não me comove
visitar lugares fechados; é preciso mostrar o que acontece nas ruas, as figuras
que compõem a cena noturna da cidade.
Busco inspiração na canção de Wander
Wildner de mesmo título, na qual ele enaltece as protagonistas do trabalho pela
coragem com que conseguem atuar na noite, como dito anteriormente em outras
palavras, “entregando seus corpos a qualquer um, a porcos e gordos mais podres
que a noite” (...) “Sempre a postos para saciar alguém...”
Não são dignas para estar aqui no
Salão? Faço necessário permanecer ao menos suas sombras – espectros, e que se
marquem suas presenças no que deve importar aos seus compradores: seu contorno
em poses que explicitem a pujança e ousadia de quem não deve temer o
desconhecido, de quem tem o inesperado sob controle.
As fotografias feitas nas ruas sob manipulação

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